Anvisa quer que rótulos de alimentos tenham dados mais claros

Olhando para a embalagem de um alimento você consegue dizer se tem alto teor de açúcar, gordura ou sódio?


Geral - 10/09/2017
Olhando para a embalagem de um alimento você consegue dizer se tem alto teor de açúcar, gordura ou sódio? Ou ainda quantas calorias ele tem? Seria capaz de comparar dois produtos e saber qual é melhor para a sua saúde? Tornar a leitura dos rótulos mais simples e ajudar o consumidor a fazer escolhas mais saudáveis é o objetivo de um trabalho que está sendo desenvolvido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), com a participação de representantes da área de saúde, da academia, da indústria e de órgãos de defesa do consumidor. Toda essa discussão tem como pano de fundo o fato de, hoje, mais da metade da população brasileira estar com excesso de peso (53,8%), segundo dados do Ministério da Saúde.

Vários modelos de rotulagem estão sendo estudados pela agência. Entre eles, o apresentado pela Abia (Associação Brasileira da Indústria da Alimentação), o adotado pelo Chile, o desenvolvido pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e o da Funed (Fundação Ezequiel Dias). As discussões, que começaram em 2014, serão retomadas neste semestre, e as propostas serão submetidas aos consumidores brasileiros através de pesquisas.

A mudança dos rótulos de alimentos, segundo a Anvisa, é uma prioridade. No entanto, ainda não foi batido o martelo sobre quando o novo padrão de rotulagem deve ser implementado. As regras para rotulagem já têm cerca de 15 anos — resolução 259/2002 e 360/2003. Desde então, diz a agência, o cenário epidemiológico brasileiro mudou, assim como aumentaram
a oferta e o consumo de alimentos industrializados.

Para a endocrinologista e presidente da Abeso (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), Maria Edna de Melo, não se pode mais protelar a mudança. “Essa medida terá um impacto sobre todos os alimentos industrializados que não devem ser consumidos em excesso. Ela conscientiza o consumidor”, destaca a médica, que defende que as advertências estejam na parte frontal da embalagem, como já acontece no Chile.

A rotulagem frontal é fundamental na visão do Idec, que a partir dos modelos chileno e equatoriano, desenvolveu um novo padrão, em parceria com a Universidade Federal do Paraná, que já tem o apoio de 19 entidades, além das chefs Bela Gil e Rita Lobo. Ele estabelece como parâmetro para os teores de sódio, gordura e açúcar os critérios estabelecidos pela Organização Pan-Americana de Saúde, baseados nas recomendações da Organização Mundial de Saúde.

A proposta consiste em triângulos pretos com a borda branca para que a informação se destaque na frente da embalagem. A informação frontal também é defendida pela Associação Brasileira de Nutrição, que participa de grupos de trabalho na Anvisa.

O movimento “Põe no Rótulo”, que lutou para a inclusão de informações sobre alergênicos nas embalagens, reforça que a padronização do modo de exibir as informações permite comparar em pé de igualdade os produtos no mercado. (AG)

[Fonte:   Jornal O Sul]
Clique aqui para comentar
Para comentar, você deve estar conectado à uma dessas contas:



Comentários
Os comentários não representam a opinião do Grupo Redesul. A responsabilidade é do autor da mensagem.