Mudanças no calendário de vacinação representam avanço na saúde pública

Mudanças são saudadas pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul


- 19/11/2016
Créditos: Foto/Divulgação
      As alterações no calendário de vacinas do Ministério da Saúde, ampliando a aplicação de doses para prevenção da meningite C em adolescentes e a inclusão de meninos na campanha contra o HPV são vistas como um grande avanço na saúde pública pelo membro do Comitê de Infectologia e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Juarez Cunha.
     - O motivo destas mudanças é que o adolescente é o principal grupo etário que porta a bactéria meningococo, mas é importante destacar que embora eles sejam portadores podem acabar não desenvolvendo a doença - explica Cunha.
     O membro do Comitê de Infectologia e Cuidados Primários da SPRS destaca que o uso da vacina meningo C, desde 2010, diminuiu consideravelmente o número de casos em todo o país, porém, observou-se que isto ocorreu somente no grupo vacinado, ou seja, em crianças com até dois anos de idade. Como consequência não houve um efeito chamado de imunidade coletiva, ou seja, uma proteção indireta mesmo para quem não é vacinado.
     Além disso, Cunha relata que foi observado que com o passar do tempo, a vacina vai reduzindo a sua eficácia. O período, de acordo com ele, é em torno de cinco anos. Devido a isto, os calendários da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) preconizam reforços dentro destes intervalos até a adolescência.
     Já a inclusão de meninos em campanhas de vacinação do HPV é resultado de recomendações por parte da SBP e SBIm, conforme aponta Cunha.
    - É uma vacina segura. Já foram aplicadas mais de 200 milhões de doses no mundo e, no Brasil, a expectativa é de cerca de nove milhões. Além de proteger os órgãos genitais dos garotos, evitará a transmissão do vírus do papiloma humano para meninas e mulheres. Como qualquer medicamento, eventos adversos podem ocorrer, porém, em geral são leves e com regressão rápida - explana o médico associado da SPRS.
    Cunha reforça, ainda, que os países que utilizam a vacina há mais tempo, como a Austrália, têm demonstrado que a imunização é protetora não só com relação aos órgãos genitais tanto como para as lesões precursoras de câncer causadas pelo HPV, principalmente o de útero.
     As mudanças serão implantadas pelo Ministério da Saúde gradualmente até 2020, em ambos os casos. Com relação às doses contra a Meningite C, a meta é atingir 80% do público-alvo, atendendo crianças entre 9 e 13 anos. Já no caso de vacinas contra HPV, a imunização deve iniciar em janeiro de 2017 e a expectativa é atender 3,6 mil adolescentes, com a mesma faixa etária do grupo anterior.
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