‘Negócio das Arábias’ observa fator humano da globalização

Com Tom Hanks, filme acompanha vendedor de TI que tenta se estabilizar emocional e financeiramente após crise econômica


Cinema - 05/08/2016
Tom Hanks vive homem em crise no filme 'Negócio das Arábias'
Tom Hanks vive homem em crise no filme 'Negócio das Arábias' - Créditos: Foto Divulgação

      Como em um rápido pesadelo, de repente, Alan (Tom Hanks) vê suas posses desaparecerem. A boa casa, o carro do ano, a bela esposa e as oportunidades de emprego se vão, deixando apenas a pergunta aos berros: “Como eu vim parar aqui?”. A breve introdução do filme Negócio das Arábias, narrada em formato de um comercial de TV surreal, mostra o estado de nervos e ansiedades do personagem que, em seguida, se destaca de terno em um avião repleto de homens com turbantes e túnicas, a caminho da Arábia Saudita.
      Alan tem a missão de encontrar o rei do país para vender um aparato tecnológico que promove conferências online por meio de hologramas. Se o negócio for fechado, a comissão vai ajudar o vendedor americano a pagar suas muitas dívidas, resultantes do fechamento da empresa chefiada por ele, massacrada pela crise econômica de 2008 e pela concorrência desleal da China.
     Como uma versão de Esperando Godot, de Samuel Beckett, o filme se desenrola a partir da longa expectativa da chegada do rei árabe, que nunca aparece. Entre os percalços, Alan precisa esconder o desânimo e elevar o clima entre a equipe de apresentação, que trabalha em condições pouco favoráveis. Ele também desenvolve sérios problemas para dormir, não consegue um bom drinque (a venda de bebidas alcoólicas é proibida no país) e precisa lidar com um tumor do tamanho de uma maçã em suas costas.
     As diferenças entre a cultura árabe e a americana e a desigualdade social são pinceladas na trama através de detalhes. Como a amizade de Alan com o motorista Yousef (Alexander Black), que leva o turista a um povoado distante, quando um marido rico acusa o jovem de flertar com sua esposa. Ou quando o protagonista entra em um dos prédios de alto padrão que estão sendo construídos no deserto e vê a situação deplorável dos trabalhadores, antes de entrar em um apartamento digno de uma cobertura milionária em Nova York.
     Inspirado no livro Um Holograma para o Rei (Companhia das Letras), de Dave Eggers, o filme joga luz no fator humano da globalização. Hanks interpreta o homem comum, em busca apenas de sobrevivência, enquanto o fantasma da concorrência chinesa continua a assombrá-lo. Não há nele motivações de prazer ou de completude existencial, e sim a cobrança típica do american way of life, que pede: “Volte a ser um vencedor”.
     Dirigido pelo alemão Tom Tykwer, do intenso Corra, Lola, Corra (1998), a adaptação tem um ritmo lento e peca ao lançar mão do velho olhar ocidental, que observa o resto do mundo de cima, como um safári a ser explorado e, por vezes, temido. O trunfo da produção fica com a boa atuação do veterano Tom Hanks, que consegue expressar o inexplicável sem palavras na pele do homem que passa por uma séria crise de meia-idade, enquanto tenta se encontrar, literalmente, no meio do nada.
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Comentários
Carlos Mendoza 14/09/2017 19:33
Eu não vi esse filme, mais adorei Sully, ancho que é maravilhoso. É interessante ver um filme que está baseado em fatos reais, acho que são as melhores historias, porque não necessita da ficção para fazer uma boa produção. Gostei muito de Sully, não conhecia a história e realmente gostei. Aqui: http://br.hbomax.tv/movie/TTL607756/Sully-O-Heroi-Do-Rio-Hudson podem ver mais detalhes do filme. Super recomendo.
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