Depois do tomate, preço da batata-inglesa deve registrar alta para o consumidor

Valores em alta ajudam produtores a recuperar prejuízo registrado na safra passada.


Geral - 03/05/2013
Safra da batata-inglesa está na reta final no Rio Grande do Sul Foto: Rafael Cavalli | Especial
Safra da batata-inglesa está na reta final no Rio Grande do Sul Foto: Rafael Cavalli | Especial
Uma alta de 168% em 12 meses, como ocorreu recentemente com o tomate, costuma alarmar o consumidor. Agora, a hortaliça que deve assumir o papel de vilã dos preços é a batata-inglesa. O produto já registrou alta de 90,54% nos últimos 12 meses, um aumento só menor do que o do tomate, de acordo com o IPC-S, calculado pela Fundação Getulio Vargas em Porto Alegre. Para efeito de comparação, a inflação medida pelo IPCA de abril de 2012 a março deste ano, utilizada como referência do regime na meta de inflação pelo governo, foi de 6,59%.
Nesta temporada, fatores como clima, alta no preço dos insumos,do óleo diesel e a mão de obra escassa impactaram a produção de todo o país. No caso da batata-inglesa, depois da produção mais intensa entre dezembro e março, o Estado está no final da safra. Há um segundo período (safrinha) em algumas áreas até junho. A previsão é de que os preços não parem aí: como praticamente todos os produtos agrícolas, a batata ainda deve ficar mais cara com o final da safra.
O que é uma má notícia para o consumidor, porém, pode ser vital para o agricultor. Neste ano, afirmam produtores, os custos estão em alta e a remuneração maior apenas recupera perdas do ano passado, quando um quadro de superoferta derrubou os valores pagos pelas hortaliças no Brasil.
"Em 2012, o custo da saca de 50 quilos foi de R$ 24 e a gente acabava vendendo por R$ 14" recorda sem saudade o produtor de batata-inglesa Alexandre Fais, de São Francisco de Paula.
Neste ano, o cenário é diferente. O custo de produção da saca,na propriedade, fica em R$ 32 na média,enquanto o valor da venda é de até R$ 60.


Entre o frio e as entressafras

Em razão do frio, o calendário das hortaliças é diferenciado no Rio Grande do Sul: a capacidade de cultivo de alguns produtos é limitada de forma cíclica pela baixas temperaturas.
E isso é sentido pelos consumidores na hora das compras.
Em 2013, a produção do tomate foi afetada por doenças no Estado, mas nada comparado à quebra registrada no centro do país em decorrência do excesso de chuva – com reflexo nos preços.
"Neste ano, muitos agricultores conseguiram recuperar um pouco o prejuízo", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, principal região produtora de hortaliças do Estado.
Ao contrário da maioria das hortaliças, porém, itens como repolho, espinafre, couve-flor e brócolis costumam registrar queda nos preços no inverno, segundo o gerente técnico do Ceasa, Amauri Pereira.A produção de folhosas é afetada, normalmente, pela geada, pela chuva intensa e por temperaturas abaixo de 5ºC.
"Ao consumidor, resta comprar em menor quantidade e pesquisar preços ou mudar o cardápio, aproveitando produtos da estação" recomenda Marcio da Silva, coordenador do escritório do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) em Porto Alegre.
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