PT expulsa Delúbio Soares do partido


- 23/10/2005
O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou na tarde deste sábado a expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares da legenda. A decisão foi tomada por 37 dirigentes, contra 16 que se manifestaram por uma pena de suspensão, e três que se abstiveram. A votação levou em conta o relatório da Comissão de Ética que propôs a expulsão. Delúbio participou da sessão e chorou durante o seu discurso de defesa. Havia uma expectativa de que Delúbio pedisse desfiliação do partido, o que pouparia o diretório de tomar uma decisão, mas o ex-dirigente afirmou que não conseguiria tomar tal medida, apesar dos vários pedidos que recebeu. O deputado federal João Paulo Cunha (SP), um dos primeiros a deixar a reunião do Diretório, disse que não tinha certeza, mas acreditava que em tese Delúbio ainda teria direito a recorrer. O senador Aloisio Marcadante, que votou pela expulsão, também não sou informar sobre a possibilidade de recurso que seria analisado pelo encontro nacional do partido. Tesoureiro polêmico Pivô do escândalo do mensalão, Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT, sempre foi ligado ao presidente Lula. A amizade com Lula vem dos tempos de sindicalismo. Delúbio foi dirigente da CUT e entrou na Executiva do PT em 2000, quando Lula era presidente de honra do partido. Profissional formado nos bastidores da burocracia partidária, casado com a dirigente petista Mônica Valente, o professor de matemática nasceu em Buriti, Goiás. Desde a posse do presidente Lula, é figura controversa. Mesmo sem cargo formal no governo, freqüentou sem inibição o Palácio do Planalto. Ele combinou duas tarefas cuja mistura tende a produzir problemas: a coordenação do preenchimento de cargos de confiança na administração federal e a arrecadação de fundos para PT. Sua queda começou em junho com a denúncia do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre o pagamento de mensalão a deputados em troca de apoio ao governo na Câmara. Jefferson acusou Delúbio de ser o operador do suposto esquema, auxiliado pelo publicitário Marcos Valério. No dia 5 de julho Delúbio se afastou do cargo e o PT começou a discutir sua punição. Onze dias depois assumiu que usou "dinheiro não contabilizado" para pagar despesas do PT. Em Paris, o presidente Lula concede uma polêmica entrevista na qual afirma que o uso de caixa 2 é comum nos partidos. Acusado de ser o operador do mensalão e de comandar o caixa 2 do PT, Delúbio obteve em setembro liminar na Justiça que impediu o Diretório Nacional do PT de julgar o relatório da Comissão de Ética do partido que recomendou sua expulsão. No último final de semana, ao comemorar seus 50 anos na fazenda do pai, em Buriti, Delúbio reavaliou a crise da qual é personagem-chave e revelou que não só trabalhou para eleger Ricardo Berzoini à presidência do PT, a despeito de o novo presidente defender a sua expulsão do partido. Ele acha que as denúncias que o atingiram e ao PT "serão esclarecidas, esquecidas e acabarão virando piada de salão".
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